Esse eu curto pra caralho!

Download RapidShare do último disco do homem: http://rapidshare.com/files/264563813/Dudley_Perkins-Holy_Smokes-2009-WHOA.zip

Download Torrent Discografia Dudley Perkins (exceto o último acima): http://www.mininova.org/tor/2404107

Por Pedro Pinhel

Quando o veterano rapper e pseudo-cantor Dudley Perkins conheceu a produtora e cantora do gênero agora conhecido como neo-soul, Georgia Anne Muldrow, num churrasco (!) da firma — a gravadora Stones Throw — há cerca de 2 anos atrás, ele estava frustrado. Seus dois últimos álbuns (A Lil’ Light, de 2003, e Expressions 2012, de 2006) foram um fracasso comercial, embora muita gente boa e talentosa, incluindo o cabeça do selo, Peanut Butter Wolf, admita que os trabalhos (ambos produzidos pelo frenético Madlib) ainda terão seus dias de reconhecimento pleno. Papo vai, costelinha de porco vem, um drinque, dois, toda sorte de ganja disponível na Califórnia, troca de beijinhos, e a revelação: a senhorita Muldrow (então também artista do staff) também não estava muito satisfeita com o resultado de seu disco de estréia, Worthnothings (de 2004). Primeira artista do sexo feminino a fazer parte da folha de pagamento da Stones Throw, ela tem no brilhante Olesi: Fragments of an Earth o ponto alto de sua carreira até agora. O disco é um misto de free-jazz, neo-soul e hip hop de fazer inveja a muito marmanjo credenciado. Em comum, os álbuns-solo Expressions 2012 eWorthnothings retratavam a solidão. Um tipo curioso de solidão, muito comum; a solidão de não saber que é solidão. Do tipo “falta alguma coisa, mas o que é?” E mensagens positivas, muitas vezes quase religiosas. Claro, ambos com muito funk, muito soul, e viagens conceituais dignas de qualquer hippie flower-power usando tamancos em 1973.

Muita coisa rolou desde aquele fatídico churras. Perkins e Muldrow se tornaram parceiros, em todos os sentidos da palavra. Sob a funkadelica alcunha de G&D, criaram seu próprio selo, oePistrophik Peach Sound, e, no último dia 25 de setembro, lançaram o primeiro LP oficial como um duo: Message Uni Versa. A promessa é no mínimo ousada: começar uma “revolução do amor”. O papinho neo-hippie pode até soar como charlatanismo ou caô, mas quem conhece o discurso de Perkins desde os tempos em que ele era o rapper Declaime (um dos membros originais do projeto Invazion, produzido também por Madlib) consegue, de alguma forma bizarra, acreditar que isso é possível. A tentativa de conseguir a “mais pura das expressões” fez com que ambos parassem de beber e fumar (!), além de adotarem a filosofia vegetariana (!!) e… bem, parar de fumar cannabis não deu. Afinal, ninguém é de ferro e a danada é orgânica. Em Message Uni Versa, o príncipe e a princesa do soul avant-garde desfilam suas especialidades. Muldrow produz o som — denso, funk até o caroço — e canta em diversos momentos. A voz, doce e firme, por muitas vezes lembra a de Jill Scott e traz uma atmosfera (supostamente) pop para o álbum. Dudley, por sua vez, canta (pelo menos tenta), fala, resmunga, se esforça para cantar mais um pouco, e o resultado é cativante. Para os críticos que apontam sua incapacidade de melodiar sílabas com afinação ele é categórico, segundo matéria publicada na revista XLR8R de setembro: “É, mas vocês também não sabem!”.

O ponto negativo do álbum fica por conta dos skits, na proporção de um para cada música (10 pedradas intercaladas por nada menos do que 10 skits). O destaque é “The Stomp”: cinco minutos de batidas, sons de piano e vozes ao fundo — Dudley e Georgia Anne entre elas, tudo muito difícil de compreender, como se todos estivessem em uma festa. Outras pérolas são as faixas “One”, “All For U” e “GodUnit”. Tudo muito funky. Ou, como diria Perkins, “fonk with an O, through your stereo” (ou fonk com a letra O, através do seu estéreo). Apesar da parceria, tanto Perkins quanto Muldrow continuam produzindo música individualmente. Pelo seu próprio selo, prometem lançar uma série de artistas ao longo dos próximos meses, incluindo a filha de 16 anos de Perkins, Ms. Dezy. Para ambos, auto-conhecimento e evolução são as palavras-chave do projeto G&D. E é dessa forma que eles pretendem continuar produzindo música e espalhando mensagens positivas. Segundo Perkins, “foi assim que Deus quis”. E, se Ele quer assim, quem somos nós para questioná-lo, certo?

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